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Por Louise Bragado

Eu comecei esse texto pelo menos umas três vezes. Não sabia o que contar ou que argumentos usar para fazer um roteiro no Rio de Janeiro que fosse completo – ou que oferecesse as melhores opções possíveis. Matutando isso há um tempinho, certa manhã comecei a mexer nas notas velhas do celular, e encontrei anotações de uma palestra que fui quando ainda morava no Rio Grande do Sul. Era sobre hospitalidade. Entre as várias anotações, encontrei a seguinte, exatamente como segue:

“Turismo vivo é ver as pessoas. O que elas fazem? Como é a aura dessa cidade? Falar com o pipoqueiro; sentar no banco da praça e ver as pessoas. Ver, enxergar. Não esqueçam de aquecer o coração”. Vibrei: é isso! O que há de mais encantador em um lugar é a alma dele. Por isso, escolhi alguns lugares que, de maneira muito pessoal, me fizeram vibrar por dentro, ficar encantada. Moro há pouco mais de dois meses no Rio, então ainda não conheço todos os cantinhos extraordinários da cidade, mas já encontrei alguns com uma aura especial. Acredito que possam encantar vocês também.

Pavão Azul

Toda vez que eu passo na frente desse bar (pode ser terça à noite, domingo à tarde, o dia que for) está lotado. Esqueci de tirar fotos das comidinhas, mas indico as patanescas (bolinhos de bacalhau sem batata, absolutamente maravilhosos, talvez os melhores que já comi por aqui) e os pasteis, bem recheados e quentinhos. Paguei R$ 11,20 por quatro pataniscas (R$ 2,80 cada). O tamanho é bom. Elas não são enormes, mas também não dá para dizer que são pequenas. Servem bem. Os pasteis vem nos sabores camarão, queijo e carne e custam R$ 2 cada. A boa pedida é ficar nas mesas externas, mas, se você não conseguir, ficar em pé na rua também rola. É a cara do Rio de Janeiro.

Forte de Copacabana – e uma esticadinha na Confeitaria Colombo

O forte é um passeio legal para ir com a família. Eu levei meus pais da última vez em que eles vieram me visitar. Passeamos por todo o complexo que engloba o forte, aproveitamos a vista maravilhosa de toda a orla, conferimos a exposição (muito legal para conhecer a história do forte, como foi construído, quando foi desativado, como funcionavam os armamentos, etc); tiramos muitas fotos, apreciamos a paisagem e, no fim das contas, almoçamos na Confeitaria Colombo que fica dentro do complexo.

Rio de Janeiro - FOTO 1 - VLIFESTYLE

Eu pedi um café da manhã (eles servem o café da manhã até as 19h da noite), que é maravilhoso. Saiu por R$ 36 e uns trocados, e incluía suco, iogurte, café (ou chocolate, ou cappuccino, à sua escolha), pães, geleias, manteigas, presunto e queijo, granola e dois tipos de biscoito, além de um bolo com cobertura de limão. Delicioso. Durante a semana, a Confeitaria também oferece pratos salgados, tipo para almoço, como estrogonofe. Também uma delícia. Se você for em um dia muito movimentado, uma boa dica é chegar e já colocar seu nome na lista de mesas, e aproveitar para olhar o forte e os museus enquanto espera.

Rio de Janeiro - FOTO 2 - VLIFESTYLE

Ah, serviço de utilidade pública: o ingresso custa R$6 (R$ 3 a meia) e não é permitido entrar com roupas de banho.

Museu Nacional de Belas Artes

Eu adoro a vibe dos museus e acho que eles contam muito sobre uma cidade. Lugares para contemplar, caminhar devagar, olhar alguma coisa e não gostar, ver outra e se sentir profundamente tocado, imensamente compreendido. Aqui no Rio há 59, segundo dados do projeto Museus do Rio, e ainda não pude conferir todos.

O Museu Nacional de Belas Artes faz você passear por várias décadas da arte nacional (as coleções incluem pintura, desenho, escultura e gravura brasileira), além de várias outras obras estrangeiras. Dá para passar um dia, facinho. É o lugar onde você encontra, ao vivo, todas aquelas obras de arte que ilustram os seus livros de história do ensino fundamental (sabe aquele “Batalha de Guararapes? Tá lá!), além de outras obras como o autorretrato da Tarsila do Amaral e grandes pinturas do Candido Portinari. Vale muito conferir! E, melhor ainda, a entrada é gratuita. Fica na Avenida Rio Branco, nº 199, Centro.

Rio de Janeiro - FOTO 3 - VLIFESTYLE

A Lapa, sem falta!

Eu amo muvuca. Povo de um lado e pro outro, gente feliz, dando risada, dançando, conversando, bebendo, comendo, namorando. A Lapa é um dos melhores lugares para se fazer turismo vivo. Sentar em um bar e aproveitar. Qualquer bar. Tem para todos os gostos. O Bar da Cachaça é muito legal, tem o Sacrilégio, Bar da Boa, Leviano Bar, Boteco da Garrafa, Bar do Adão, Bar Luiz, Barzinho e outros vários que nem sei o nome. É só entrar, achar uma mesa e curtir. Bem relax, bem na boa. Na semana passada, fui no Sarau Rio, um dos primeiros quando você entra na Rua dos Arcos. Fica bem em frente ao Circo Voador. O som lá era forró, o clima estava ótimo, teve até pedido de casamento, e a noiva depois se declarando. Não tem como ser mais amor.

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A praia, sempre

Seja qual for a sua preferência (Ipanema, Copacabana, Leblon, Grumari, Praia da Reserva, Prainha), a beira da praia não pode faltar. É onde tudo se mistura, onde você aproveita e conversa, toma banho de mar, sente a energia do sol, sai um pouco da rotina, deixa a correria de lado, conversa com o ambulante, negocia com outro, ouve a conversa do vizinho de guarda-sol, ri e depois esquece, fica de pé descalços, observa a natureza. É um dos meus espaços preferidos nas cidades litorâneas. Não pode faltar.

Rio de Janeiro - FOTO 5 - VLIFESTYLE BLOG

E, para qualquer lugar da cidade que te encantar: viva ele, veja, observe, experimente. Não se limite a ficar na piscina do hotel, entrar no táxi só para jantar no restaurante fabuloso ou na festa badalada. Tudo isso é maravilhoso, mas também pegue o metrô, ande de ônibus, pare em algum bar de esquina, converse com moradores, ambulantes, camelôs. Interaja com a cidade, e com o que existe nela. É assim que conhecemos um lugar de verdade e nos apaixonamos por ele.







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