Europa

  16/09
 

O primeiro “Next stop” é sobre intercâmbio na Irlanda. Conversei com a estudante de Jornalismo Laura Guerra, que contou um pouco de suas experiências em terras irlandesas.

O problema é que a Laura tem muita história boa para contar e então teremos dois posts! Esse será somente sobre a Irlanda, e um próximo, ainda sem data, falará das viagens pela Europa que ela fez. Espero que gostem!

cliffs e laura

Cidade que morou: Galway­­, Irlanda

Documentação exigida: Não precisei de documentação específica para estudantes brasileiros porque eu tenho cidadania italiana. A dupla nacionalidade facilitou minha estadia e não precisei me preocupar com o visto.

Quanto tempo ficou: 1 ano

Qual idade tinha: 19 anos

Qual objetivo da viagem: Sempre tive vontade de viver fora do país por um longo período. Não acredito que Porto Alegre, a cidade onde nasci, combine com a minha personalidade. Então o principal objetivo da minha viagem foi escapar da rotina de forma produtiva, ou seja, viajar e estudar inglês ao mesmo tempo. Em outras palavras, eu queria sair da “bolha” e das mesmices do cotidiano.

Por que escolheu esse destino: Optei por morar Irlanda por alguns motivos importantes, como por exemplo, o custo de vida e a facilidade para viajar pela Europa. E claro, por falarem inglês lá. Não conhecia Galway. Comecei a pesquisar sobre a cidade e vi grandes vantagens comparando com Dublin, que é a capital irlandesa.

Trabalhou? Se sim, como foi: Trabalhei como cleaner durante 11 meses em uma loja no centro de Galway. Limpava a loja no turno da manhã de segunda a sábado. Na hora de procurar emprego é importante ter em mente que alguns lugares podem te explorar justamente por ser de outro país. Felizmente, minha experiência foi ótima. E não tive nenhum problema em trabalhar numa função fora da minha formação acadêmica.

Qual época do ano foi: Cheguei na Irlanda em julho de 2012, durante o verão irlandês – que não é nada parecido com o verão brasileiro. Mesmo assim, é uma boa época para se adaptar ao país porque não chove muito e não faz muito frio comparado com novembro e dezembro. Até para gaúchos o clima irlandês é complicado. O frio é mais intenso e chove muito.

Viajou sozinha ou em grupo: Viajei com uma amiga brasileira que eu já conheço há anos. Fomos juntas para Galway e também organizamos e viajamos juntas para os outros lugares. 

Que tipo de hospedagem utilizou: Nas duas primeiras semanas em Galway morei com uma família irlandesa. Esse processo é feito entre a agência e o curso. Depois,  mudei para uma casa onde dividi as despesas com mais 5 pessoas de outros países, como Espanha, Irlanda, Itália e Polônia. Acredito que dividir a hospedagem com outras pessoas que eu nunca tinha visto antes na vida foi um grande aprendizado. Na Irlanda, é muito comum procurar casa ou apartamento para alugar na Internet, então eu usei o site aqui.

Como organizou a viagem: A maior parte da viagem foi organizada através de uma agência de intercâmbio em Porto Alegre, como o pagamento do curso, acomodação inicial, seguro de saúde e passagem aérea. A organização financeira começou cerca de 6 meses economizando praticamente todo o salário do mês. Levei cerca de 500 euros em dinheiro e o restante no Visa Travel Money. Como entrei com passaporte italiano, não precisei comprovar nenhum valor específico ao chegar na Irlanda.

Muitos optam por levar o mínimo e comprar tudo quando chegar no país do destino. No meu caso foi diferente. Levei duas malas cheias com tudo que eu achava que seria útil. Para quem não se incomoda de gastar dinheiro logo no início e quer comprar coisas novas, é super válido levar a mala um pouco vazia. Roupas por 10 euros e itens de higiene por 2 euros são normais por lá.

Como era a alimentação: Sou vegetariana há 7 anos e foi fácil manter minha alimentação na Irlanda. Eu não costumava ir a restaurantes. Optei por cozinhar mais (e aprender) em casa. Os preços dos alimentos no supermercado são baratos, ainda mais para quem não come carne, peixe e frango. Alguns legumes e verduras custavam 0,89 cents, por exemplo. Lá eu ainda encontrei opções de comida congelada e vegetariana. Gostava muito da linha da Linda McCartney, que não existe no Brasil e tem bastante variedade. Supermercados grandes como o Tesco e o Dunnes têm uma parte chamada “reduce to clear” que eventualmente vendia comida quase de graça. Comer fora é sempre mais caro e o forte da Irlanda não é a comida.

Como foi o relacionamento com as pessoas locais: O relacionamento com as pessoas locais foi bem amigável. Não senti nenhuma forma de preconceito ou julgamentos por ser brasileira.

O que mais gostou: O que mais gostei foi a simpatia do povo irlandês. De forma geral, eles são animados e otimistas. Mesmo com os atuais problemas econômicos, eles mostram uma alegria natural e recebem muito bem os estrangeiros. A segurança foi outra característica que eu gostei muito. Andar pela rua sem medo de ser assaltada, por exemplo. Minha casa ficava cerca de 15/20 minutos a pé do centro da cidade e sempre caminhei esse trajeto de noite e, muitas vezes, estava sozinha.

O que menos gostou: O que menos gostei foi o clima irlandês. Antes de chegar lá, pensei que eu iria me adaptar facilmente, mas foi bem difícil. Senti falta de dias ensolarados.

O que decepcionou: Fiquei um pouco decepcionada com a noite irlandesa. A vida noturna deles começa muito cedo justamente porque os pubs são obrigados a fechar às 2h da manhã. Ou seja, começa cedo e termina cedo. Embora o horário seja ruim, a música nos pubs é muito boa. Os mais tradicionais apresentam artistas locais tocando instrumentos típicos e pessoas dançando a “irish dance”. Depois das duas da manhã, existem as “after parties” para o pessoal que quer se divertir um pouco mais. E mesmo com o fechamento muitas pessoas permanecem na rua ou vão comer alguma coisa.

O que surpreendeu: O que mais me surpreendeu foi a forma como os idosos vivem. Era muito comum encontrar idosos e idosas bebendo uma Guinness – a cerveja tradicional do país – nos vários pubs da cidade misturados com os mais jovens.

Qual lugar um turista tem que visitar: Na Irlanda, uma boa dica turística é alugar um carro e percorrer o interior. As estradas são ótimas e a paisagem durante a viagem é incrível. Muitas montanhas, ovelhas e casinhas típicas chamadas “cottage”. Um lugar que já virou clichê mas vale muito a pena conhecer são os Cliffs of Moher, que são enormes penhascos com uma vista maravilhosa. Fui duas vezes, uma de ônibus e outra de carro. A viagem de ônibus conta com um guia e uma parada para o almoço. É bom escolher um dia com sol ou que, ao menos, não esteja chovendo.

Quanto gastou: Cerca de 13 mil reais (curso de 6 meses, seguro, passagem aérea, compras pré-embarque). Levei cerca de 8 mil reais para os 6 primeiros meses.

Voltaria? Voltaria com toda certeza, principalmente para viajar mais pelo interior da Irlanda, é um tipo de viagem que me agrada muito. Acho que não moraria novamente em Galway, mas voltaria por todas as ótimas lembranças daquela cidade que foi responsável por um dos melhores anos da minha vida.

Confira a galeria abaixo:

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Na próxima terça-feira o “Next Stop” será sobre NY! Aguardem!