intercâmbio

  30/09
 

O “Next Stop” de hoje está pra lá de especial. A entrevistada da semana é uma publicitária que foi para a África do Sul fazer trabalho voluntário com animais. Sensacional, né? A Camy Schultz ainda deu várias dicas de passeios que deixam qualquer um louco para comprar as passagens e embarcar para a África agora!

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País: África do Sul.

Cidades que morou: Cape Town e Joanesburgo.

Documentação exigida: Passaporte para entrar no país e carta de intenções para os trabalhos voluntários.

Quanto tempo ficou: 2 meses.

Qual idade tinha: 22, fiz 23 lá.

Qual época do ano foi: No verão, fui em fevereiro e voltei em abril.

Viajou em grupo ou sozinha: Sozinha.

Qual o objetivo da viagem: Trabalho voluntário e conhecer lugares novos.

Por que escolheu esse destino: Comecei a viajar quando eu era nova e desde então não consigo mais parar. Estou sempre em busca de lugares novos onde eu possa interagir com outras culturas e realidades. Quanto me formei em Publicidade e Propaganda percebi que não estava realizada e achei que participar de um trabalho voluntário seria algo que fosse me deixar mais feliz. Optei então em ir para a África do Sul devido a abundância de instituições e organizações que precisam de voluntários.

Onde trabalhou: Em Cape Town trabalhei em um centro de reabilitação de pinguins e aves marinhas (SANCCOB), já em Joanesburgo trabalhei em um parque de leões (Lion Park).

Como foi o trabalho voluntário: No SANCCOB, que foi onde trabalhei a maior parte do tempo (1 mês e meio), minha tarefa era reabilitar pinguins e aves marinhas. Falando por cima parece tudo muito fofo e lindo, e é. Foi a melhor experiência da minha vida, e se eu ganhasse dinheiro para sobreviver fazendo isso estaria lá até hoje. Mas é um trabalho superpesado, que exige agilidade e bastante esforço físico. Eu trabalhava de 9 a 10 horas por dia, e na maioria das vezes trabalhava no final de semana e tinha dois dias de folga por semana (às vezes juntos, às vezes separados). Além de alimentar, entubar e dar medicações para os pinguins e aves marinhas que são tarefas que devem ser realizadas pontualmente todos os dias, fazia parte da minha rotina cortar peixe, lavar toalhas e carpetes sujos de fezes dos animais, carregar e lavar gaiolas de plástico, esfregar o chão, fazer relatórios das aves dentre diversas outras tarefas que iam aparecendo, como por exemplo, cortar galhos das árvores e desentupir ralos. Não é nada fácil pois o centro de reabilitação vive de doações, assim não pode ter muitos funcionários pagos e depende de voluntários locais e internacionais. Mas é um trabalho muito recompensador, a sensação de ver um pinguim que estava a beira da morte correr em direção ao mar outra vez é algo que não se pode explicar com palavras.

No Lion Park, onde fiquei apenas 2 semanas, a coisa era bem diferente. Era um parque, cheio de funcionários e muitos turistas. Se eles dependem de voluntários? Sinceramente, não. Ser voluntário no Lion Park é mais diversão do que trabalho. É passar o dia brincando com filhotes de leões e conhecendo pessoas novas. Claro que tem algumas tarefas, mas são simples e tomam pouco tempo do dia. O ambiente é muito agradável e os funcionários são super amigáveis. Diferentemente do SANCCOB, onde todo mundo corria cheio de tarefas urgentes para tudo quanto é lado, no Lion Park tem tempo de sobra pra interagir com as pessoas ao redor e com os animais. Porém, para mim não foi tão gratificante e eu me senti mais de férias do que trabalhando, o que às vezes é bom também.

Como organizou a viagem: Organizei através da agência CI. Eles contatam com organizações da África do Sul de trabalhos voluntários.

Que tipo de hospedagem utilizou: Como era trabalho voluntário, não tinha muita escolha. Em Cape Town fiquei na casa de uma voluntária local do mesmo projeto. Eu tinha um quarto só meu e no quarto do lado tinha um outro brasileiro que também era voluntário. Em Joanesburgo, como o parque fica longe da cidade, eles tem um alojamento para os voluntários, que consiste em cabanas de até 4 pessoas.

Como era a alimentação: Nunca comi tão bem na minha vida. Eles usam muitos temperos e pimentas e eu ,como adoro comidas fortes, descobri na África do Sul um paraíso gastronômico. Eu também não como carne, e opções de comidas vegetarianas é o que não falta.

Como foi o relacionamento com as pessoas locais: As pessoas locais são muito amáveis e amigáveis. Estão sempre prontas pra te ajudar, mesmo alguns não falando muito bem inglês.

O que mais gostou: Cape Town, na minha opinião, é a cidade dos sonhos. As praias são lindas, a diversidade cultural, o clima, a comida e os pinguins (é claro) têm meu coração.

O que menos gostou: A cidade de Joanesburgo, apesar de eu não ter explorado muito, deixou um pouco a desejar.

O que surpreendeu: Como tudo é barato.

O que decepcionou: Ter que ir embora! Haha

Lugares um turista tem que visitar: Boulders Beach, Table Mountain, Old Biscuit Mill, Long Street, Tour pelas vinícolas, Pular de Paraglider

Boulders Beach: Uma praia que é o paraíso dos pinguins africanos. Indo lá é garantido ver centenas deles na areia pegando um sol e cuidando de seus filhotes e ovos.

Table Mountain: A principal montanha de Cape Town. Dá pra subir a pé ou de bondinho. Escolha um dia em que não tenha muitas nuvens, nem muito vento, para ter uma vista incrível de toda cidade.

Old Biscuit Mill: Meu lugar preferido! É uma feira de rua que acontece todo sábado. Sempre rola música ao vivo de artistas independentes e um fantástico mercado de comida de rua que só vendo para acreditar.

Long Street: Principal rua de Cape Town. É nela que a vida noturna acontece. Muitos bares e restaurantes africanos. Durante o dia pode-se encontrar feirinhas e lojas de artesanato africano.

Tour pelas vinícolas: A África do Sul é conhecida por ter vinhos excelentes. E eu posso garantir que tem! Haha Fiz um tour por algumas vinícolas que além de lindas têm vinhos maravilhosos. Vale a pena ir com um tour ou alugar um motorista, pois ficar bêbado é garantido.

Pular de Paraglider: Os aventureiros e corajosos não podem perder essa oportunidade. A vista é incrível! Escolha um dia bonito e sem muito vento.

Quanto gastou: Em média 20 mil reais, fora comprinhas extras.

Voltaria: Sempre!

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  16/09
 

O primeiro “Next stop” é sobre intercâmbio na Irlanda. Conversei com a estudante de Jornalismo Laura Guerra, que contou um pouco de suas experiências em terras irlandesas.

O problema é que a Laura tem muita história boa para contar e então teremos dois posts! Esse será somente sobre a Irlanda, e um próximo, ainda sem data, falará das viagens pela Europa que ela fez. Espero que gostem!

cliffs e laura

Cidade que morou: Galway­­, Irlanda

Documentação exigida: Não precisei de documentação específica para estudantes brasileiros porque eu tenho cidadania italiana. A dupla nacionalidade facilitou minha estadia e não precisei me preocupar com o visto.

Quanto tempo ficou: 1 ano

Qual idade tinha: 19 anos

Qual objetivo da viagem: Sempre tive vontade de viver fora do país por um longo período. Não acredito que Porto Alegre, a cidade onde nasci, combine com a minha personalidade. Então o principal objetivo da minha viagem foi escapar da rotina de forma produtiva, ou seja, viajar e estudar inglês ao mesmo tempo. Em outras palavras, eu queria sair da “bolha” e das mesmices do cotidiano.

Por que escolheu esse destino: Optei por morar Irlanda por alguns motivos importantes, como por exemplo, o custo de vida e a facilidade para viajar pela Europa. E claro, por falarem inglês lá. Não conhecia Galway. Comecei a pesquisar sobre a cidade e vi grandes vantagens comparando com Dublin, que é a capital irlandesa.

Trabalhou? Se sim, como foi: Trabalhei como cleaner durante 11 meses em uma loja no centro de Galway. Limpava a loja no turno da manhã de segunda a sábado. Na hora de procurar emprego é importante ter em mente que alguns lugares podem te explorar justamente por ser de outro país. Felizmente, minha experiência foi ótima. E não tive nenhum problema em trabalhar numa função fora da minha formação acadêmica.

Qual época do ano foi: Cheguei na Irlanda em julho de 2012, durante o verão irlandês – que não é nada parecido com o verão brasileiro. Mesmo assim, é uma boa época para se adaptar ao país porque não chove muito e não faz muito frio comparado com novembro e dezembro. Até para gaúchos o clima irlandês é complicado. O frio é mais intenso e chove muito.

Viajou sozinha ou em grupo: Viajei com uma amiga brasileira que eu já conheço há anos. Fomos juntas para Galway e também organizamos e viajamos juntas para os outros lugares. 

Que tipo de hospedagem utilizou: Nas duas primeiras semanas em Galway morei com uma família irlandesa. Esse processo é feito entre a agência e o curso. Depois,  mudei para uma casa onde dividi as despesas com mais 5 pessoas de outros países, como Espanha, Irlanda, Itália e Polônia. Acredito que dividir a hospedagem com outras pessoas que eu nunca tinha visto antes na vida foi um grande aprendizado. Na Irlanda, é muito comum procurar casa ou apartamento para alugar na Internet, então eu usei o site aqui.

Como organizou a viagem: A maior parte da viagem foi organizada através de uma agência de intercâmbio em Porto Alegre, como o pagamento do curso, acomodação inicial, seguro de saúde e passagem aérea. A organização financeira começou cerca de 6 meses economizando praticamente todo o salário do mês. Levei cerca de 500 euros em dinheiro e o restante no Visa Travel Money. Como entrei com passaporte italiano, não precisei comprovar nenhum valor específico ao chegar na Irlanda.

Muitos optam por levar o mínimo e comprar tudo quando chegar no país do destino. No meu caso foi diferente. Levei duas malas cheias com tudo que eu achava que seria útil. Para quem não se incomoda de gastar dinheiro logo no início e quer comprar coisas novas, é super válido levar a mala um pouco vazia. Roupas por 10 euros e itens de higiene por 2 euros são normais por lá.

Como era a alimentação: Sou vegetariana há 7 anos e foi fácil manter minha alimentação na Irlanda. Eu não costumava ir a restaurantes. Optei por cozinhar mais (e aprender) em casa. Os preços dos alimentos no supermercado são baratos, ainda mais para quem não come carne, peixe e frango. Alguns legumes e verduras custavam 0,89 cents, por exemplo. Lá eu ainda encontrei opções de comida congelada e vegetariana. Gostava muito da linha da Linda McCartney, que não existe no Brasil e tem bastante variedade. Supermercados grandes como o Tesco e o Dunnes têm uma parte chamada “reduce to clear” que eventualmente vendia comida quase de graça. Comer fora é sempre mais caro e o forte da Irlanda não é a comida.

Como foi o relacionamento com as pessoas locais: O relacionamento com as pessoas locais foi bem amigável. Não senti nenhuma forma de preconceito ou julgamentos por ser brasileira.

O que mais gostou: O que mais gostei foi a simpatia do povo irlandês. De forma geral, eles são animados e otimistas. Mesmo com os atuais problemas econômicos, eles mostram uma alegria natural e recebem muito bem os estrangeiros. A segurança foi outra característica que eu gostei muito. Andar pela rua sem medo de ser assaltada, por exemplo. Minha casa ficava cerca de 15/20 minutos a pé do centro da cidade e sempre caminhei esse trajeto de noite e, muitas vezes, estava sozinha.

O que menos gostou: O que menos gostei foi o clima irlandês. Antes de chegar lá, pensei que eu iria me adaptar facilmente, mas foi bem difícil. Senti falta de dias ensolarados.

O que decepcionou: Fiquei um pouco decepcionada com a noite irlandesa. A vida noturna deles começa muito cedo justamente porque os pubs são obrigados a fechar às 2h da manhã. Ou seja, começa cedo e termina cedo. Embora o horário seja ruim, a música nos pubs é muito boa. Os mais tradicionais apresentam artistas locais tocando instrumentos típicos e pessoas dançando a “irish dance”. Depois das duas da manhã, existem as “after parties” para o pessoal que quer se divertir um pouco mais. E mesmo com o fechamento muitas pessoas permanecem na rua ou vão comer alguma coisa.

O que surpreendeu: O que mais me surpreendeu foi a forma como os idosos vivem. Era muito comum encontrar idosos e idosas bebendo uma Guinness – a cerveja tradicional do país – nos vários pubs da cidade misturados com os mais jovens.

Qual lugar um turista tem que visitar: Na Irlanda, uma boa dica turística é alugar um carro e percorrer o interior. As estradas são ótimas e a paisagem durante a viagem é incrível. Muitas montanhas, ovelhas e casinhas típicas chamadas “cottage”. Um lugar que já virou clichê mas vale muito a pena conhecer são os Cliffs of Moher, que são enormes penhascos com uma vista maravilhosa. Fui duas vezes, uma de ônibus e outra de carro. A viagem de ônibus conta com um guia e uma parada para o almoço. É bom escolher um dia com sol ou que, ao menos, não esteja chovendo.

Quanto gastou: Cerca de 13 mil reais (curso de 6 meses, seguro, passagem aérea, compras pré-embarque). Levei cerca de 8 mil reais para os 6 primeiros meses.

Voltaria? Voltaria com toda certeza, principalmente para viajar mais pelo interior da Irlanda, é um tipo de viagem que me agrada muito. Acho que não moraria novamente em Galway, mas voltaria por todas as ótimas lembranças daquela cidade que foi responsável por um dos melhores anos da minha vida.

Confira a galeria abaixo:

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Na próxima terça-feira o “Next Stop” será sobre NY! Aguardem!